AS PRIMEIRAS ROSAS DA PRIMAVERA

As escondidas eram as preferidas e correr pelo campo, as brincadeiras.
Quem disse que nos esquecíamos, que não lembraríamos mais.
O comboio passa. Desta vez vai para sul.
Apenas as nossas gargalhadas ecoavam para lá da linha. O túnel servia de margem.
O lago fica ali ao lado.
O pomar já tem cor, carregado de fruta madura. A cerejeira fica apetitosa, trepamos para saborear.
O largo parecia enorme com o tanque lá ao fundo. Branco ficava o verde da erva quando de estendal servia.
Sentir a terra por entre os dedos e ficar horas a inspeccionar os formigueiros.
Alice no país das maravilhas.
A noite escura não era impedimento para na rua ficar a brincar.
O mundo era apenas esse espaço coberto de estrelas.
Não sonhávamos a realidade era colorida o suficiente.
Queres ver as nuvens nas formas da nossa imaginação? Ficávamos horas a fio.
Rir e rir sem parar.
A chuva regressava e o jardim se estragava.
Ninguém nos disse que seria assim.
Como as primeiras rosas da primavera, a infância tem o melhor perfume e a mais bela cor.
Ninguém nos avisou que duraria até á primeira pétala cair.
As primeiras da primavera são únicas e as mais raras que se podem encontrar.
Cada um tem a sua.
O lugar onde se encontra, ninguém sabe. Como semente largada pelo vento, pode florescer em qualquer lugar. No campo mais verdejante no solo mais fértil, como no areal ou na fenda do muro. Algumas nascem nos lugares mais inimagináveis, nos penhascos mais altos e distantes, nas margens do rio ou simplesmente no nosso jardim.
Ninguém nos ensinou que a nossa em particular não seria fácil de encontrar.
Que murchar seria a consequência de quem incultamente a cortaria.
A minha é realmente especial, está num lugar que não posso tocar. Apenas para admirar é simplesmente a mais bela e perfumada para a vida inteira durar. Sua cor não vai perder, é a mais linda de se observar, não deixo ninguém lhe mexer.
Murchar significaria morrer.