A tua essência

Na tua essência, verdade plena,
absorvida e magoa temida,
grandiosa alma contida.
De emoções perdidas, não sentidas,
Ser singular no viver.

Na tua notável essência,
Calas as palavras, engoles o mundo,
que bebes em pequenos tragos.
Do paladar que não sentes,
consumindo, sossego profundo.

Nessa essência admirável.
Milimetricamente registadas.
Nesse pedaço escuro e confortável,
as inocentes palavras ficam,
de velhas lembranças despojadas.

Na tua essência fica.
Dos olhares indiscretos, prisioneira.
A vontade não escrita,
obrigação da cegueira,
transparece ao primeiro suspirar.

O que não te encanta, fica preso na garganta.
Qualidade que espanta quem não sabe viver,
impávido e sereno de paciência,
amado mereces ser, por quem não quer ver.
Essa tua magnífica essência.

A chuva

As gotas que humedecem meus sonhos,
rigorosas, frias, intensas e pungentes,
impregnam minha alma,
esfriando os dias quentes.

Quero abrigada ficar.
Onde meu coração molhado possa encontrar,
o prodigioso, sereno e quente lugar,
dormindo coberta pelo teu caloroso olhar.

Encharcada até às entranhas,
desejo-te como se fosse um desafio,
ávida, por apenas sentir calor,
anoitece e em ti me refugio.

Cai gota a gota, água que afaga o meu dia,
neste mundo frio que vivo agora,
calor, quero trazê-lo de volta ,
como a chuva que cai lá fora.