Naufrágio

Nas redes de um anseio desmedido,
sou peixe colhido de surpresa.
Nesse mar que pensava conhecido,
em que tudo era uma certeza.

Nadei em sentido inverso,
contra a corrente afundei.
Mar de sentidos intenso,
meu amor, naufraguei.

Mastro ao alto, proa erguida,
a tempestade está perto.
avaliando maré perdida,
navio já inundado, submerso.

Praia do meu sentimento,
mar cerúleo e brilhante.
Banha o meu espírito premente,
Estremecer, amor constante.

À deriva foi encontrada,
a marear sem sentido.
A bússola desnorteada,
morto ser desaparecido.

Num fôlego reanimada,
respiro-te brisa da maresia.
Rota conclui moldada,
completa sonância, melodia.

Guardado ficará o quinhão,
tesouro no meu baú de glórias.
Para sempre no meu porão,
preciosas pedras de memórias.

Guzmán Lavenant

No se trata de entender la vida,
eso es lo menos importante.
Se trata de estar en el justo instante,
ni antes ni después,
que pasa por tu cuerpo
la clara sensación de vida por tus venas.

Tratar de entender la vida la complica,
mejor es dejarla llegar y acompañarla
y agradecer que tus ojos miran
a otros ojos que con ternura nos observan.

La vida es solo eso:
instantes y más instantes,
alegres, sombríos, tristes,
que no tienen que explicarse.

                                        Guzmán Lavenant