Não quero outro amor.


Não quero outro amor,
e nem escolhi a hora,
incandesceu minha alma,
não te amei mais, do que te amo agora.

Não quero outro amor,
no amor não há demora,
único, de encantos cheio.
quando é amor fica, não vai embora.

Não quero outro amor,
meu amor apaixonadamente namora,
horas à sombra da ternura dos teus gestos,
meu rosto de emoção explode, de encarnado cora.

Não quero outro amor,
minhas puras crenças que alentei outrora,
sem nunca ter sofrido, não te amei de repente,
persistente, sublime e forte , ficará pelo tempo fora…

Qualidade De Ser Sensível


Quis possuir a qualidade de ser sensível,
tão clara como a nascente e como o dia,
ter uma alma fantástica, bem exequível,
Como o brilho da luz que o trilho alumia.

Antes eu não me conhecia,
julgava que de sensibilidade dotada havia,
vincada a sua importância como uma agonia,
Andava atrás de mim, mas não me via.

Quis ter a capacidade de ser sensível,
Içada em mim a chama inapagável e plena quimera,
serenidade estranha, candente e impossível,
inutilmente, jamais obrigada dissera.

Anteriormente eu não sabia,
esta ânsia de viver  nada calma, é louca.
Unicamente pelas tardias lições de sabedoria,
procurava, mas as palavras já saíram da minha boca.

Descobri a particularidade de ser sensível,
tão forte como o princípio e como o amor,
desta paixão, incandescente, incrível,
a sensibilidade em todo o seu esplendor!

MOKITA


O caos ecoava num ruido claro,

na tagarelice do seu pensamento,

chorava o orvalho pesado do amor,

o encanto da natureza é perturbador…


Porque são assim as primaveras,

em cativeiro sensações repetidas,

vitimas de um sorriso da alma preza,

uma outra armadilha que fere a beleza…


No pantanoso lamaçal de emoções.

Caiu essa indefinível substância,

partículas dum corpo sem paradeiro,

entranha no coração, bateu em cheio…


Húmidos de maquilhagem camuflados,

os lábios vermelhos e cerosos,

ilusórios circos de insatisfeito desejo,

caíram num ininterrupto e descontrolado beijo…


Varrem-se as pétalas para longe,

que a noite propícia para um abandono,

a dor dos espinhos da saudade,

“mokita” impenetrável muro da verdade…

Para te encontrar foi porque nasci...


Quem me dera voltar à inocência,
Nesta mágica tarefa de viver,
Que se esconde nessa incoerência, 
De não me conseguires conhecer.

Quero ser novamente a criança,
vestida de seda vermelha que canta e ri.
Repleta de felicidade pula e dança,
Por se ter apaixonado por ti.

Quero sorrir junto ao teu peito,
os meus braços se estendem para ti.
Oiço de novo o sopro dos teus passos,
para te encontrar foi porque nasci...

Evento de Lançamento da ANTOLOGIA Amante das Leituras 2012

Evento realizado na Casa do Infante, cujas raízes remontam a 1325 - Século XIV.

Para além da apresentação dos autores da Antologia o espectáculo contou com a maravilhosa actuação de Samuel Gomes e a escola infantil de Mónica Correia.

Mais um momento especial para os poetas antologiados proporcionado pela fundadora da Amante das Leituras Ana Maria Costa.




Aqui terá nascido o Infante D. Henrique, o Navegador. A casa foi construída em 1325 para servir como Alfândega, tendo-lhe sido anexada, mais tarde, a Casa da Moeda.
Apesar das inúmeras transformações, manteve-se em funções como posto aduaneiro até ao séc. XIX.





No espaço museológico encontram-se expostos objectos achados nas escavações arqueológicas. Em vários postos multimédia, pode aceder-se a informação sobre o edifício e à cidade através de uma reconstituição em imagem virtual.

A minha dor é velha.


A minha dor é tão velha,
que já não tem idade,
vai do coração á pele,
se nunca existiu, não sei de verdade.

Sempre a mesma dor,
gaivota silenciosa e triste,
pesa no peito dormente,
pudera que passasse, desistisse…

A minha dor é anciã, 
trás a angustia da partida,
carregada nas algemas da mente,
sarcástica sem dar trégua nem guarida.

A minha dor é antiga,
veterana no meu asilo alojada, 
ficou o tempo nos vales das rugas vincada, 
doloroso golpe da ferida que julgava fechada.