Cinzas


Na calma de cinzas do meu ser,
agita-se uma penumbra de cipreste,
espírito furtado ao livro que ando a ler,
essas páginas de mágoas que me deste.
Estranho pergaminho compuseste,
poeta da nostalgia e do sofrer!
Oculto livro em que escreveste,
tudo o que sinto, sem poder dizer!
Pensei eu que eras tu a minh’alma,
agora que as palavras já secaram,
contaste tanta coisa à noite calma,
na réstia do tempo perdido voaram,
mutilam quando a dor se aprofunda,
despedaça, sem nunca morrer.
E a esperança cedida se afunda,
na coragem do destino vencer.
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